O presidente ucraniano Viktor Yanukovich destituiu de seus
cargos neste sábado (14) o prefeito de Kiev, Oleksandr Popov, e o
vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Vladimir Sivkovich.
A destituição foi uma resposta ao indiciamento de Popov,
Sivkovich e outros dois altos funcionários ucranianos (os chefes de polícia
Valeri Koriak e Piotr Fedchuk) pela Procuradoria-Geral.
Eles foram indiciados por abuso de poder e violência
policial na dissolução de um comício pacífico da oposição na praça da
Independência, na capital, no dia 30 de novembro. Na ocasião, cerca de 35
manifestantes ficaram feridos, e sete tiveram que ser hospitalizados.
A punição às autoridades responsáveis por ordenar a
dissolução violenta da manifestação do dia 30 é parte das reivindicações da
oposição pró-europeia, que exige também a destituição do governo e a realização
de eleições parlamentares e presidenciais antecipadas.
A Ucrânia, que atravessa dificuldades econômicas e
financeiras, recusou-se a assinar, no mês passado, um plano de associação com a
União Europeia que previa o elaboração de um acordo de livre comércio, alegando
que uma crise com Moscou provocaria perdas econômicas ao país.
PRAÇAS OCUPADAS
Neste sábado, 10 mil manifestantes que apoiam o governista
PR (Partido das Regiões) se reuniu na praça Europa, em Kiev, a cem metros da
praça da Independência, o quartel-general dos maciços protestos
antigovernamentais que começaram há mais de três semanas.
A fim de prevenir enfrentamentos entre os que se manifestam
a favor e contra o governo, a polícia bloqueou com ônibus e caminhões a avenida
Kreschatik, que une essas duas praças da capital ucraniana.
Nikolai Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia, instou os
manifestantes a retornar a seus lares. "O resto do país vive e trabalha
normalmente", declarou o chefe do governo, perante seus partidários e um
mar de bandeiras ucranianas e azuis, a cor da formação governista.
Já a praça da Independência se encontra repleta de enormes
tendas de campanha militares que acolhem os ativistas instalados ali há mais de
três semanas, entre um mar de bandeiras nacionais, europeias e dos partidos
opositores, assim como cartazes.
"Se acontecer alguma provocação, posso assegurar que
será organizada pelas autoridades", disse à imprensa o ex-ministro de
Defesa e deputado opositor Anatoli Gritsenko, que acrescentou que "a
situação dentro da praça da Independência é de maior segurança que fora
dela".
